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Fratura do escafóide: você já ouviu falar?

Quando uma pessoa sofre uma queda para frente, instintivamente ela se protege estendendo os braços e levando as mãos de encontro ao solo. Esse apoio com a mão espalmada, forçando o punho em extensão, é a forma mais comum de produzir uma fratura do rádio, ou do escafóide, ou a lesão de um importante ligamento que mantém a estabilidade do carpo (articulação do punho), denominado ligamento escafolunar. Também pode ocorrer a associação dessas lesões anteriormente citadas.

O osso escafóide é o mais frequentemente acometido por fraturas, dentre os ossos do punho e talvez o mais difícil de tratar, devido à particularidade de sua anatomia.

Fraturei o escafóide, o que devo fazer?

A presença de dor e inchaço na região dorsal do punho próximo à base do polegar é fortemente indicativa dessas lesões.

O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível para minimizar o potencial de complicações que podem ocorrer com a demora no tratamento.

As radiografias do punho e escafóide são os primeiros exames de imagem a serem realizados e podem demonstrar as fraturas do rádio, do escafóide e as lesões ligamentares completas (graves). No entanto, as fraturas sem desvio (quando não há separação entre os fragmentos do osso) e as lesões ligamentares parciais ou incompletas podem não ser evidenciadas nas radiografias iniciais e, dessa forma, não serem devidamente diagnosticadas.

A consolidação, ou seja, a cicatrização da fratura do escafóide depende de uma série de fatores, dentre os quais estão: o tempo de lesão, a localização da fratura e a presença de lesões ligamentares associadas. Para cada caso, existe uma forma de tratamento individualizado que pode variar desde apenas a imobilização do punho até o tratamento cirúrgico com a utilização de parafusos e enxerto ósseo.

Uma fratura do escafóide não tratada ou tratada de forma inadequada geralmente evolui para a não consolidação ou pseudartrose (o osso não “cola”) e essa condição faz com que haja um desarranjo na mecânica do movimento do carpo, que, por sua vez, desencadeia um processo de degeneração ou “desgaste” dessa articulação (a artrose). O mesmo ocorre nas lesões ligamentares.

Na fase em que temos a pseudartrose ainda sem a presença de artrose, é possível a realização do tratamento cirúrgico para a restauração do escafóide utilizando a colocação de enxerto ósseo.

Quando a artrose já se faz presente, o tratamento se torna muito mais complexo exigindo, na maioria das vezes, a realização de cirurgias que inevitavelmente levam à perda de parte do movimento do punho.

A mensagem principal é a de que nunca devemos subestimar a fratura do escafóide ou as lesões ligamentares do carpo. Na maioria das vezes, as complicações são decorrentes da falta de diagnóstico e retardo no início do tratamento adequado e podem ser evitadas pela avaliação precoce de um especialista em Cirurgia da Mão.

Por | 2018-11-06T17:37:19+00:00 06/11/2018|Categories: Blog|Tags: , , , |0 Comments

Sobre o autor:

Maurício Garcia
Maurício Garcia é fisioterapeuta e gestor do Instituto Cohen

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