Ortopedia

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Joelho 2018-02-20T19:38:50+00:00
Joelho

A gravidade de cada lesão do joelho no esporte, seja competitivo ou recreativo, assim como a sua incidência, está diretamente relacionada aos aspectos anatômicos e biomecânicos de cada indivíduo e, por esta razão, se torna indispensável o conhecimento básico das estruturas envolvidas. O objetivo é que a conduta a ser empregada coloque o atleta, o mais precocemente, de volta ao esporte de origem e sem complicações. A articulação do joelho é basicamente formada por três ossos: o fêmur, a tíbia e a patela, os quais estão unidos pela cápsula articular dos ligamentos e dos músculos, parte que estrutura a coxa e a panturrilha. A união destas três estruturas ósseas formam duas articulações, a patelofemoral e a tibiofemoral, existindo uma relação mecânica entre elas.

Na extremidade distal do fêmur encontram-se os côndilos grandes e convexos, que se articulam com a tíbia, divididos por um sulco central que forma a superfície articular da patela. Os côndilos são cobertos por cartilagem hialina espessa que serve para suportar as forças extremas sobre as superfícies articulares durante a descarga de peso. Na porção proximal da tíbia, conhecida como “platô tibial”, encontram-se duas conchas achatadas que são niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. Esta superfície está alinhada com a cartilagem hialina, onde se acomodam os côndilos femorais. Na divisão entre os platôs medial e lateral, encontra-se a região intercondilar que, na sua porção anterior, apresenta uma depressão. Ela serve como sítio de inserção para o ligamento cruzado anterior.

Já a articulação patelofemoral é formada pela superfície anterior do fêmur, conhecida como cavidade troclear, e as facetas posteriores da patela (maior osso sesamóide), onde se interpõem o mecanismo do quadríceps. Do vértice inferior da patela até a tuberosidade anterior da tíbia, encontra-se o ligamento patelar ou o tendão patelar. A cartilagem articular na face posterior da patela tem 5mm de densidade, sendo assim, a mais espessa do corpo humano.

Meniscos 2017-08-29T14:34:30+00:00

No que diz respeito à anatomia óssea do platô tibial, é extremamente deficiente para a estabilidade articular, por isto, uma estrutura fibroelástica repousa sobre as conchas tibiais, conhecida como menisco. Ao longo da borda periférica de cada concha tibial, dois meniscos, medial e lateral, estão inseridos por fortes ligamentos chamados de coronários.

Além se integrar melhor a superfície articular do joelho, os meniscos auxiliam na transmissão de forças na descarga de peso, melhor lubrificação e durante o movimento de flexo-extensão, auxiliam os côndilos femorais na sua excursão.

O menisco lateral é de forma oval com uma restrita base de inserção, dando maior grau de mobilidade do que o menisco medial durante o movimento do joelho. O menisco medial já é de forma semilunar com uma larga base de inserção em toda sua extensão, e as áreas anterior e posterior dos meniscos são conhecidas como “côrnos” dos meniscos, que são conectados por um ligamento transverso.

A porção interna do menisco é avascular, sendo apenas o terço externo do mesmo vascularizado pela extensa inserção capsular do joelho. O movimento total do menisco na direção ântero-posterior é de aproximadamente 12 mm.

Cápsula do Joelho 2017-08-29T14:35:16+00:00

A cápsula do joelho aloja a articulação do joelho, e é a mais extensa cápsula do corpo humano e ainda suporta ligamentos adjacentes e estruturas musculotendinosas estático e dinamicamente.

Alguns espessamentos de ligamentos da expansão aponeurótica da cápsula, aparecem para ajudar a estabilizar a patela e colocar tensão sobre os meniscos, denominados de ligamento meniscopatelar e ligamento patelofemoral. A tensão nos meniscos ocorre quando o músculo quadríceps se contrai.

Ligamentos 2017-08-29T14:35:41+00:00

Nos últimos tempos, duas estruturas tem recebido uma atenção especial, que são os ligamentos cruzados, posterior e anterior. Se localizam na cavidade intercondilar do fêmur e são isolados da cápsula articular do joelho, por isso, são revestidos por suas próprias bainhas sinoviais. Quando o joelho se movimenta, os ligamentos formam um padrão entrelaçado e por isso são descritos como “cruzados”.

O ligamento cruzado anterior (LCA), se insere mais anteriormente na cavidade intercondilar, na depressão anterior à eminência tibial média e se dirige para cima, oblíqua e posteriormente para se inserir no côndilo femoral lateral. Pela característica de sua inserção, o LCA pode ser dividido em duas estruturas funcionais: banda posterior e banda ântero-medial, sendo tensa na posição flexionada pela dimensão anatômica encurtada, e da posição.

O ligamento cruzado posterior (LCP), como o próprio nome diz, se localiza na região posterior da cavidade intercondilar. Sua inserção femoral tem o aspecto póstero-lateral ao côndilo femoral medial e cursa inferior, obliquamente e posterior para se inserir na depressão posterior entre os platôs tibiais. O LCP tem um feixe se estendendo ao interior do côrno posterior do menisco lateral e também é dividido em duas estrutura funcionais: bandas ântero-lateral e posterior e se difere do cruzado anterior no momento que se torna tenso na flexão, com a porção anterior sendo alongada na extensão.

Na região proximal do epicôndilo medial do fêmur até a tíbia na altura da tuberosidade tibial, encontra-se o ligamento colateral tibial ou medial (LCT), largo e de forma triangular. Os filamentos mais posteriores da região superficial do LCT combinam-se com a região mais profunda do ligamento que se ligam firmemente ao côrno posterior do menisco medial.

O ligamento colateral fibular ou lateral (LCF) se origina do fêmur até a cabeça da fíbula e, faz parte do complexo estático e dinâmico para causar a estabilidade lateral do joelho não tendo conexão com o menisco lateral.

Biomecânica 2017-08-29T14:36:17+00:00

Dois eixos de movimento são conhecidos na articulação do joelho: o transversal e longitudinal.

No eixo transversal é onde acontece o principal movimento do joelho, a flexo-extensão que pode chegar entre 140 e 160º na flexão e na extensão em zero grau. No eixo longitudinal acontece a rotação axial onde a rotação externa se limita a 40 e 50º e na rotação interna de 30 a 35º, sabendo que há uma associação destes movimentos à flexo-extensão no final da extensão e no início da flexão.

Pela ação da musculatura e das estruturas ligamentares ocorrem os movimentos das articulações tibiofemoral e patelofemoral.

A articulação tibiofemoral é conhecida como uma dobradiça rodando, deslizando e rolando e por isso considerada como helicoidal ou espiral. Estudos indicam que esta articulação é o ponto do eixo para os movimentos de flexão e extensão e isto nos permite imaginar a tíbia rotacionando sobre o côndilo medial do fêmur durante a flexão e extensão. A articulação patelofemoral tem sua mecânica influenciada pelo músculo quadríceps, e algumas formas estruturais de cada indivíduo como restrição do tecido mole e biomecânica do quadril e pé. Para permitir que o tendão do quadríceps curse normalmente, a patela tem a função de aumentar a distância dos eixos articulares e assim proteger o joelho anteriormente, contando ainda que a patela deslize na cavidade troclear em um movimento homogêneo auxiliando o sistema de alavancas do quadríceps.

Na extensão, a patela se coloca afastada e acima da cavidade troclear e esta posição se lateraliza pois na máxima extensão, a tíbia rodou externamente em função do valgo fisiológico do joelho. No momento que a articulação do joelho é flexionada, a superfície articular da patela entra em contato com a cavidade troclear com aumento da pressão lateral em virtude da tensão das estruturas laterais. Assim, a pressão da patela é gerada lateralmente durante a flexão, e durante a extensão, há um aumento na pressão medial.

Quando falamos de estabilidade patelar, é importante entender os aspectos estáticos e dinâmicos. A tensão do vasto medial enfatizado sobre as fibras oblíquas deste músculo, dão a estabilidade ativa e através da inserção deste mesmo músculo com algumas outras estruturas mediais do joelho, dão estabilidade estática à patela.

Assim, a função primordial do joelho inclui uma condição dinâmica entre todos os componentes funcionais e a função da articulação patelofemoral esta relacionada ao movimento da articulação tibiofemoral.

Lesão no Joelho 2018-02-13T01:20:30+00:00

As lesões traumáticas no esporte tem estado no auge das ocorrências ortopédicas pelo número de praticantes atualmente, e ainda este número tem aumentado significativamente no decorrer dos anos, pois as pessoas têm buscado na atividade física, um meio para alcançar o que chamamos de qualidade de vida.

Algumas lesões são de pouca intensidade, como contusões e entorses moderados, outras envolvem mais seriamente segmentos do sistema músculo esquelético requerendo diagnóstico preciso e intervenções cirúrgicas adequadas, acompanhadas de um protocolo de reabilitação baseado em aspectos científicos para que o atleta volte o mais precocemente possível à prática do esporte de origem, e é claro, sem complicações.

Os atletas escolheram como inimigo número 1, o joelho. Afastados de suas atividades físicas e sem saber quais as perspectivas de volta à prática esportiva, o drama das lesões do joelho, são de diferentes tipos e por esse motivo, têm tratamentos bem distintos. O menisco, que durante muito tempo foi o vilão de muitos atletas, hoje já não assusta, porém, um outro problema que nos inspira a estudar incansavelmente, são os ligamentos cruzados.

Com quase 80% das lesões traumáticas do joelho, o ligamento cruzado anterior (LCA) tem sido alvo das grandes atualizações da medicina esportiva, pois se discute ainda se o atleta deva a se submeter ao ato cirúrgico, pois alguns autores citam que depende da freqüência e da intensidade da atividade física que a pessoa executa, além do grau da lesão, da idade e da capacidade de compensar a ausência do ligamento. Defendemos, o ato cirúrgico nestes casos, pelos benefícios que vem de encontro às expectativas dos atletas, e naturalmente pela evolução do processo de reabilitação que tem feito seus esforços para acompanhar os progressos da tecnologia, para que seja depositada a esperança em atletas ameaçados pelo risco da interrupção de suas atividades esportivas.

Os 25% restantes das lesões do joelho, incluem as lesões patelofemorais que acometem indivíduos jovens e mulheres em esportes competitivos, as lesões meniscais que são bem diagnosticadas onde a regra básica está em poupar o máximo do menisco lesado quando da intervenção cirúrgica, as lesões degenerativas como artrose que são de caráter irreversível e as plicas sinoviais que são sintomas que se iniciam nas pessoas que começam atividade física bruscamente e com exageros, com dor na face medial do joelho, acompanhado de derrame, falseio, bloqueio e retração muscular, e 99% dos casos o tratamento é conservador. São conhecidas popularmente como doenças dos descasados, pois acometem indivíduos por volta de 40 anos que buscam uma melhor estética corporal, exagerando em suas ambições.

A semiologia do joelho consiste em uma boa história, um diagnóstico clínico geral, com a inspeção, mobilidade articular e palpação, e o diagnóstico clínico especial através das avaliações dos ligamentos, meniscos e articulação femoropatelar.

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